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SENNA: A FUNNY STORY INVOLVING PROST

It was Monday 24th May 1993, the day after Ayrton’s record breaking 6th win at the most glamorous of all races! And it had been a particularly difficult win in Monaco as, on Thursday free practice,  he had crashed and hurt his left thumb really badly – and he was left handed) After nearly 48 hours under the thoroughful care of his personal physiotherapist Joseph Leberer – with a cocktail cream, ice and massages.- Ayrton was ready to go. (this was an extraordinary race and I will write more about it sometime)

Senna and Prost face to face

Senna and Prost. I can see the vibes. Photo F1 banter

Back to Monday. We are in London. Ayrton called me in the afternoon; we had arranged to talk more so I could write my columns to Japan and Brazil.

Ayrton: “Hi Betise, all ok? I need a favour”

Betise : “Oh, really!  I thought we were going to talk more about the race”, I replied laughing

Ayrton: “Well, that as well.  Perhaps we could talk at a McDonalds”?

Betise: “What?!?! You’re kidding, right? You want to go to McDonalds and drag me there, too? Even for my boss it is a lot to ask”, still laughing but not as much!

Ayrton: “No, it’s not for me! Adriane wants to have a Big Mac, can you believe it?”

Betise: “Of course I can. What I can’t believe is that you are prepared to go there. I shall bring my camera and make you autograph the photo for posterity”, by then I am in tears of laughter.

Senna: “Ok, very funny. Where is the nearest McDonalds? I am at the Berkeley. We can meet there and talk about the Monaco weekend while Adriane has her burger”

Half an hour later, we met at McDonalds on the Kings Rd, walked up the stairs and started queueing. It was around 3pm then so it was not very busy but I could see Ayrton had on that face of “oh, no, people are beginning to recognise me , they will mob me and my excellent mood will turn to shit”. I was prepared for the worse. But … nobody recognised him. “Oh No, that could be the worst!”, I thought, laughing to myself.

We got to the till and ordered.  The guy behind the counter kept looking at Ayrton, then at me. At Ayrton, then at me.

“Don’t I recognise him from somewhere?”, he said to me but pointing at Ayrton.

“Well, I don’t know. Do you?” , I replied.

“Yes, yes, I know, he’s that racing driver”,  he had his eureka moment. We are both staring at him. “I know,  I know…. (racking his brain) …….. Alain Prost!!”

I can still hear my own laughter!!!! I simply couldn’t hold it. Not even Ayrton’s not so pleased face (that’s the understatement of my life) could stop me. It didn’t last long, though.  The overwhelming feeling of victory in Monte Carlo and Adriane’s happy company thankfully prevailed. And he joined me in giggling as I still hadn’t managed to stop!!

He did see the funny side of it eventually. “Bloody hell… I won it yesterday, for the 6th time. In Monaco!!”. We all giggled even louder!!

I still live near that McDonalds and walk past there practically daily.  Pity I did not take my camera. Well, I was brave.- still am.  But not THAT brave.

 

 

 

SENNA: EE3. AS BRIGAS COM PROST.

Este terceiro episódio do Esporte Espetacular e’ centrado nos primeiros anos do Ayrton na McLaren. Seu excelente relacionamento com os japoneses; seu péssimo relacionamento com o francês Alain Prost. Os dois acidentes no Japão: em 88, batida Prost campeão; em 89, batida Senna campeão. Entrevista com o chefe da Honda que desafiou  o comissário de pista e a diretoria da prova e permitiu que Ayrton voltasse a pista depois de trocar o nariz do carro.

“Os japoneses gostam de pessoas normais que fazem coisas excepcionais. Ayrton tinha as qualidades que nós louvamos nos nossos Samurais”

Como de costume, Niki Lauda solta o veredito mais acertado. ” Eram dois egocentricos tentando vencer o campeonato. Senna, com suas atitudes carismáticas , simpaticas e Prost com seu jeito frances…Eles não gostavam um do outro”

Eles mostram Ayrton correndo pra salvar o frances Eric Comas depois de seu acidente no circuito de Spa, na Belgica. E o ingles Martin Brundle, companheiro de Ayrton na F-3, diz que achava estranho ele ser tão competitivo na pista e tambem ser o primeiro a pular do carro pra ajudar os outros .

Discordo. A atitude de sair do carro e querer ajudar  outro piloto ou se emocionar com o acidente de um colega de trabalho e’ totalmente condizente com um sujeito cujo lado emocional era forte como o do Ayrton.

Também tem o ingles Derek Warwick falando de como foi bom pra família dele receber a carta do Ayrton depois que seu irmão Paul morreu num acidente na pista de Oulton Park. Lembro bem quando escrevi aquela carta. Eu gostava muito do Derek e também do Paul. Fiquei muito triste com a morte dele e não foi fácil escolher as palavras. Ayrton gostou da minha iniciativa, ficou emocionado lendo, adicionou algumas palavras, conversamos sobre a perda… umm momento forte, pessoal e carinhoso que guardo comigo.

EE termina com a sensacional vitória do Ayrton no GP Brasil de 1991. Vale a pena ver de novo.

 

FORMULA E: BRANSON E DI CAPRIO TEM EQUIPES

Do altamente criativo mundo do automobilismo, a Fórmula E chega com um estrondo. Bem, menos barulhento e menos veloz que a F1, mas incrivelmente inventiva e com um propósito verdadeiramente social:  poluição zero, para incentivar o mercado de carros elétricos a se desenvolver. E tem o apoio oficial de dois grandes nomes: Sir Richard Branson e Leonardo di Caprio montaram equipes.

Mas não pensem que os carros são chato, lento e silencioso. Eles vão de 0 a 100km / h em menos de 2,5 s. O aspecto mais extraordinário dos carros é a sua eficiência. Eles afirmam que ela tem 100% de aproveitamento de energia. Todas as normas são destinadas a tornar as máquinas o mais eficiente possível.

Aprenda com ex piloto de Fórmula 1 Lucas di Grassi todos os detalhes técnicos sobre este programa da BBC.

Depois assista a matéria da Sky sobre o teste final realizado esta semana na França.

http://news.sky.com/story/1249421/final-testing-for-all-electric-formula-e-race

FORMULA E: BRANSON AND DI CAPRIO BACK IT. 2 VIDEOS

From the high tech, highly creative world of motor racing, Formula E arrives with a bang. Well, less loud and less fast but incredibly  inventive and with a truly social purpose: zero pollution, to encourage the electric car market to develop. And it has the official backing of two big names internationally: Sir Richard Branson and the Hollywood artist Leonardo di Caprio have set up teams.

But don’t think the cars are boring, slow and silent. They can go from 0 to 100km/h in less than 2.5s. The most extraordinary aspect of the cars are their efficiency.  They claim it has 100% of energy consumption. All the regulations are aimed to make the machines as efficient as possible.

Learn from ex Formula 1 driver Lucas di Grassi all the technical details  on this BBC programme.

Watch this week’s official testing with a story on  Sky News

http://news.sky.com/story/1249421/final-testing-for-all-electric-formula-e-race

 

 

 

Senna: Meu relacionamento profissional e pessoal. Em japones

Hoje a revista japonesa ‘NUMBER’ publica um longo artigo  sobre meu relacionamento profissional e pessoal com o tricampeão Mundial Ayrton Senna. Para os japoneses, aqui vai a capa. Aos demais, extraí alguns trechos.

A photo of the front cover of the magazine

Capa da Revista NUMBER

 

Sobre nosso trabalho juntos: “Foi um longo caminho, lento e profundo. Lento e profundo? Isto mesmo. Ayrton era veloz nas pistas mas, como pessoa, jamais se apressava no falar ou em se abrir com as pessoas. Não jogava conversa fora, não desperdiçava atenção com quem não lhe tratava com respeito. Ganhar sua confiança e obter o direito de compartilhar alguns de seus momentos mais ‘fortes’ é uma de minhas maiores conquistas como profissional. E como pessoa.

Sobre o homem. “Ele não era uma pessoa fácil. Era intenso, focado. Eu sempre dizia: “ O Ayrton não veio ao mundo a passeio”. Ele tinha total compreensão do quanto sua imagem , seus esforços , sua conduta e seus resultados importavam as pessoas

Sobre a morte de Ratzemberger: Trago comigo sua imagem de tristeza e desespero ao assistir pelo monitor nos boxes o acidente fatal do colega austriaco Roland Ratzenberger (eu estava bem ao lado dele), um dia depois da ansiedade pela batida de Rubens Barrichello e um dia antes de seu proprio acidente. Compartilhei com ele sua ansiosa tentativa de ir ao Centro Médico na sexta feira e ao local da morte do austríaco no sábado.

Sinto saudades. De sua intensidade, de seu carisma e até de seus maus humores. Not a dull moment, como dizem os ingleses. Era muito interessante trabalhar com ele. Sempre havia uma nova conquista a ser perseguida, um novo projeto a ser montado, um novo desafio a ser conquistado.

SENNA: EXTRACTS OF MY REMINISCENCES IN JAPANESE

Today the Japanese magazine “Number” publishes an article they commissioned me to write about my relationship and memories of  Ayrton Senna. For those who are Japanese, there it is. For the others, I post some extracts.

A photo of the front cover of the magazine

Front cover of NUMBER magazine

About our work together: ” It was a long process , slow and profound . Slow and profound? That’s right. Ayrton was very fast on the track but, as a person , he never hurried in speaking or answered something without thinking. He did not  waste his  attention on people who did not treat him with respect. Earning his trust and the right to share some of his more ‘powerful and private ‘ moments is one of my greatest achievements as a professional . And as a person .

About the man. “He was not an easy person. He was intense, focused. I always say . . .” Ayrton did not come to the world for a party “. He had a full understanding of how his image , his efforts , his conduct and his results mattered to other people.

On the death of Ratzenberger : “I carry with me his face of sadness and  despair while watching the fatal accident of Austrian Roland Ratzenberger  at the monitor (I was right next to him ), one day after Rubens Barrichello’s shunt  and the day before his own accident. I shared with him his eager attempt to go to the Medical Center on Friday and the spot on the track where the Austrian died on Saturday .

I miss his intensity , his charisma and even his bad moods . Not a dull moment , as the English say . It was very interesting to work with him . There was always a new achievement to be pursued , a new project to be mounted , a new challenge to be met .

F1 ENGINE: COMPARE V6,V8,10

If you are one of the nostalgic fans complaining about  the noise ( or lack of it) this season, compare their volumes in this video Se voce e’ um dos saudosistas , reclamando que o barulho não e’ suficiente, compare os volumes neste video

WARNING: ONLY FOR REAL PETROL HEADS 

SENNA: EE 2. UMA HOMENAGEM

Se voce se desligou do ar no feriado prolongado e perdeu o segundo programa da serie sobre o Ayrton Senna no Esporte Espetacular, assista correndo. Este, sim, é uma homenagem! Feito com  cuidado nas imagens, inteligência nos detalhes, carinho na escolha das declarações.  Tudo isto sem endeusa-lo. Adorei!! ele também ficaria satisfeito.

I’m afraid this is only available in Portuguese. It is the second programme of a 4 episode series make for TV Globo. I do hope they get it to subtitled and exported!

 

SENNA: DONINGTON HIS GREATEST RACE. 21 YEARS TODAY

The Formula 1 circus travels to some of the most glamorous and exotic places in the world . Ayrton Senna started in 161 races , won 41 times , was 80 times on the podium and recorded 19 fastest laps . He had his first win in the charming circuit of Estoril (1985 ) , won the prestigious GP of Monaco  no fewer than 6 times ( 87/89/90/91/92/93 ) , finally realised his dream of winning the GP BRAZlL in 1991, exhausted, stuck on sixth gear! It was on the truncated Donington circuit, in England , however, that he had what , according to most experts , his greatest performance . That first lap is historic. And in the end , when the Brazilian crossed the finish line , was the first and only time I saw all the journalists in the press room stand up and applaud.

Donnington promised a ‘ good fight ‘ between the two top teams . Disappointed to have been vetoed by Prost to join the dominant Williams team – a single clause required by the French driver, when he signed with Frank Williams , was that Ayrton would not be his team mate- the triple world champion was negotiating race per race with the Woking team and arrived optimistic in  Derbyshire. . ” Without a long straight , the engine ends up being less important ,” he explained before the race. And, of course , also admitted that the forecast of rain during the race benefited him. But , contrary to what many assumed , Ayrton did not like racing in the rain . ” Any mistake can be fatal . It’s too dangerous . But , I admit , it gives us a chance to compete with the superior Williams  ”

a bit of magic in this documentary

Since his first go kart race , Ayrton learned that the rain should be tamed , conquered . My first race was in the rain and I got badly beaten.  I did not know where to turn the wheel .” From that day on, when started to rain , Ayrton would  ran to the track and trained , trained up ‘ until he wastired . ” That’s how I got the knack of it.”

With visibility and lower speed, braking must be delayed . ” Moreover , in the wet , you can make different paths which also increases the chances of overtaking ,” he affirmed . Logical words of clarity and good sense as most of his analysis . What we did not know was that they were prophetic .

Sunday woke up raining. And the water only stopped falling just before the start of the Grand Prix . The tension was visible on the drivers’ faces. Slick or wet tires? In the stands , only 30 thousand spectators , a small public for a Formula 1 race . In the VIP , Princess Diana brought some shine to the grid .

Primeira volta mais espetacular da históia da Formula 1

Most spectacular 1st lap in histor

 

At the start , the track was still very wet when the lights turned green. On the track , the triple world champion made ​​magic with his McLaren . MAGIC SENNA AT HIS VERY BEST . Even after so many years watching his races , I could not hide the shock. In fact , a mixture of disbelief and idolatry. In the press room , you could hear gasps , cries of wonder , laughter of disbelief .

His ability to find grip on that slippery asphalt helped ​​Senna to get rid of Wendlinger quickly ( outside the Craner ! ), to overtake Damon Hill in McLean ‘s with ease and to begin to chase Alain Prost – all this after being pushed off the track by the German on the Benetton. “I had to take two wheels off the track but got myself together .”

Three turns later, in the clip called Melbourne , Ayrton Senna would take the lead of the race . From fifth to first in just 10 corners! Spectacular ! ” To be honest , so much has happened in this race that I do not remember much about the first lap. But I do  know it was a psychological shot in all of the others, ” he’d tell me later, still fairly incredulous himself.

After proving his competence in the wet on the first lap , Senna pushed further and opened almost 4 seconds ahead at the end of the second lap. But the track was drying and already the mechanics were moving about in the pits , tires in hands . ( Little did they know that this would only be the beginning of the greatest sits and ups in the history of Formula 1 . Mainly in the Williams pits ! )

Senna e Prost

Senna and Prost

The Grand Prix was full of incidents , tire changes, skids , spins , delicate overtaking. There were 4 stops to Senna versus 7 for the French , a record that continues until ‘ today as far as I know. “I almost had a heart attack many times during  the race. I had to put the car in the wet , but had no choice. I knew that when it dried out a bit, Williams would be faster even on wet tires , ” he later recall .

On lap 57 , Ayrton Senna entered the pits . The McLaren radio system did not work well and Ayrton did not understand what he was told . And vice versa . The mechanics were not ready. The Brazilian went straight past and , due to the curious layout of the circuit , recorded the fastest lap 1.18.029! It was the last fastest lap of his career .

Ayrton Senna won the Grand Prix of Europe , his 38th victory , a lap ahead of all other drivers except the Englishman Damon Hill placed second .

” Unbelievable , unbelievable ,” Ayrton repeated to me, sitting alone in the team truck . Shortly before , he had greeted each of the mechanics and engineers who helped him to retain the championship lead .

Ayrton e bandeira com orgulho

Ayrton proud with the Brazilian flag

I still get a thrill when I remember this day and this race. A true master at the wheel. A show . Ayrton was exhausted at the end and I could see the adrenaline coming out of his , tense and tired body. On his face , however, an almost childlike joy, an unpretentious and authentic pleasure that I saw very few times. I was thrilled and  especially happy for him .

The Austrian Gerhard Berger , who was his best friend in Formula 1 , told me some time later in his jokey self . ” In Donington, Ayrton made ​​us all look stupid”. We had a good laugh .

Ayrton was also responsible for one of the happiest days in the life of Englishman Tom Weatcroft, owner of the circuit that only hosted the most famous circus in the world on this occasion. Not with all the creativity, imagination and desire in the world , the owner of the Donington circuit could have dreamed of as a sequence of events like those on Sunday, April 11, 1993 . One of those days that become History.

Senna e Tom

Senna e Tom

SENNA: DONINGTON 21 ANOS DEPOIS

O circo da Formula 1 viaja para alguns dos lugares mais glamorosos e exóticos do mundo. Ayrton Senna participou de 161 corridas,venceu 41 vezes,  foi 80 vezes ao podium e registrou 19 voltas mais rápidas. Teve sua primeira vitória no charmoso circuito do Estoril (1985), venceu o prestigiadíssimo GP de Monaco nada menos que 6 vezes (87/89/90/91/92/93), realizou seu sonho ao ganhar finalmente o GP Brasll em 1991, exausto, travado em sexta marcha! Foi no travado circuito de Donington, na Inglaterra, porém, que ele realizou a que, de acordo com a maioria dos especialistas, sua melhor perfomance. Aquela primeira volta é uma das que ficaram para a história. E, no final, quando o brasileiro cruzou a linha de chegada, foi a primeira e única vez que vi todos os jornalistas da sala de imprensa aplaudirem de pé!

Donnington prometia uma ‘boa briga’ entre as duas equipes de ponta. Desapontado por ter sido vetado por Prost a juntar-se a dominante equipe Williams – única clausula exigida pelo piloto frances, quando assinou com Frank Williams, era que Ayrton não poderia ser seu parceiro de escuderia – o tricampeão mundial negociava corrida por corrida com a equipe de Woking mas chegou a Derbyshire otimista. “Sem uma reta longa, o motor acaba contando menos”, explicou antes da prova. E, claro, também admitiu que a previsão de chuva durante a prova lhe beneficiaria. Mas, ao contrário do que muitos supunham, Ayrton não gostava de correr na chuva.”Qualquer erro pode ser fatal. É perigoso demais. Mas, admito, ela nos dá uma possibilidade de competir com as tão superiores Williams”.

um pouco da magia neste documentário

 

Desde sua primeira corrida de kart, Ayrton aprendeu que a chuva devia ser domada, conquistada. Sua minha primeira prova  foi sob chuva e ele ‘apanhoui’ feio. “Nem sabia pra onde virar o volante”. Daquele dia em diante, assim que começava a chover, ele corria pra pista e treinava, treinava ate’ cansar. “Foi assim que aprendi a manha da chuva”.

Com visibilidade e velocidade menores, as freadas tem de ser atrasadas sobrando mais espaço. “Além disso, no  molhado, voce pode fazer traçados diferentes o que aumenta tambem as possibilidades de ultrapassagem”, sentenciou. Palavras lógicas, de claridade e bom senso como a maioria de suas analises.  O que não sabiamos era que eram proféticas.

O domingo acordou chuvoso. E a água so’ parou de cair pouco antes do inicio do Grande Premio.  A apreensão era visivel na cara dos pilotos. Pneus secos ou molhados? Nas arquibancadas, apenas 30 mil espectadores, um publico pequeno para corridas de Formula 1.  Nos VIP, Princesa Diana dava algum brilho ao grid.

Primeira volta mais espetacular da históia da Formula 1

Primeira volta mais espetacular da história da Formula 1

 

Na largada, a pista ainda estava bem molhada quando as luzes viraram verde. Na pista, o tricampeao mundial fazia mágica com sua McLaren. MAGIC SENNA AT HIS VERY BEST. Mesmo depois de tantos anos assistindo suas corridas, eu não consegui esconder o espanto. Na verdade, uma mistura de incredulidade e  idolatria. Na sala de imprensa, ouviam-se suspiros, gritos de admiração, risos de incredulidade.

Sua habilidade em encontrar aderência naquele asfalto escorregadio fez com que Senna rapidamente se livrasse de Wendlinger (por fora na Craner!!!) , passase Damon Hill na McLean’s com facilidade  e começasse a correr atrás de Alain Prost – tudo isto depois de ter sido empurrado pra fora da pista pelo alemão da Benetton. “Eu tive de tirar duas rodas da pista, mas consegui me recuperar”.

Três curvas mais tarde, no grampo chamado Melbourne, Ayrton Senna tomaria a liderança da corrida. De quinto a primeiro em apenas 10 curvas!! Espetacular! Quase ouço o Galvão aos gritos quando lembro. “Para ser sincero, aconteceu tanta coisa nesta corrida que não me lembro exatamente como foi a primeira volta. Mas sei que foi um tiro psicologico em todo mundo”, me contaria mais tarde, ainda razoavelmente incrédulo ele mesmo.

Depois de provar sua competência no molhado na primeira volta, Senna apertou ainda mais e abriu quase 4 segundos de vantagem no final da segunda volta. Mas a pista estava secando e os mecanicos ja’ se movimentavam nos boxes , pneus lisos nas mãos. (Mal sabiam eles que este seria apenas o começo do maior senta-levanta da história da Formula 1. Principalmente nos boxes da Williams!!)

Senna e Prost

Senna e Prost

O Grande Premio foi cheio de incidentes, mudanças de pneus, derrapagens, rodadas, ultrapassagens delicadas. Foram 4 paradas pra Senna contra 7 do frances, um recorde que continua ate’ hoje pelo que eu sei. “ Quase morri do coração um monte de vezes na prova. Eu tinha de colocar o carro ainda mais no molhado, mas não tinha opção. Eu sabia que , quando secasse um pouquinho, as Williams seriam mais rapidas mesmo com pneus de chuva”, lembraria mais tarde.

Na volta 57,  Ayrton Senna entrou nos boxes. O sistema de radio da McLaren não funcionava bem e Ayrton não entendia o que lhe diziam. E vice versa. Os mecanicos não estavam a postos . O brasileiro passou reto e, devido ao curioso desenho do circuito,  registrou a volta mais rapida 1.18.029, pois tinha cortado caminho! Foi a última volta mais rápida de sua carreira.

Ayrton Senna ganhou o Grande Premio da Europa ,  sua 38a vitoria, uma volta a frente de todos os outros pilotos com exceção do ingles Damon Hill, segundo colocado.

“inacreditavel, inacreditavel”, Ayrton repetia para mim, sentado sozinho no caminhão da equipe. Pouco antes, ele havia cumprimentado cada um dos mecanicos e engenheiros que contribuíram para que ele mantivesse a liderança do campeonato.

Ayrton e bandeira com orgulho

Ayrton e bandeira com orgulho

Ainda sinto uma grande emoção quando lembro deste dia e desta corrida. Um verdadeiro mestre no volante. Um show. Ayrton estava exausto no final e eu podia ver a adrenalina saindo de seu corpo, tenso e  cansado. No seu  rosto, porém, uma alegria quase infantil, um prazer despretensioso e autentico que vi muito poucas vezes. Fiquei emocionada e especialmente feliz por ele.

O austriaco Gerhard Berger, que era seu melhor amigo na Formula 1, comentaria comigo mais tarde em seu jeito jocoso de ser.  “ In Donington, Ayrton made us all  look stupid” (Em Donington, Ayrton fez todos nós outros pilotos  parecerem estupidos). Dávamos boas risadas.

Ayrton foi também o responsável por um dos dias mais felizes do ingles Tom Weatcroft, proprietário do circuito que só hospedou o circo mais famoso do mundo nesta ocasião.  Nem com toda a imaginação, criatividade e desejo do mundo, o dono do circuito de Donington poderia ter sonhado uma continuidade de eventos como no domingo 11 de abril de 1993.  Um daqueles dias que ficam pra história.

Senna e Tom

Senna e Tom Wheatcroft

 

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