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Senna no pulso de todos no Rio2016

Quando me informaram muitos meses atrás que o Ayrton Senna seria um dos Embaixadores dos Jogos Olímpicos do Rio2016 confesso que fiquei perplexa. Como? Hologramas? Será que iriam ‘teleportar’ imagens do Ayrton em arenas, fan fests etc?? Será que fotos impressas em cartazes ajudariam alguma coisa? Acho que menosprezei a força daquela homem, considerado ainda por milhões o símbolo maior do orgulho dos brasileiros até hoje.

Imagens das vitórias deles nas pistas de corrida não poderiam fazer a menor diferença pra atletas olímpicos. Esta era a minha opinião. Mas olha só o que eles fizeram: inspiração total.

 

SENNA: 55 TODAY

Today Ayrton would have turned 55. Millions of fans have taken to twitter to celebrate his life, register their grief, pay their respects. I obviously share all of these. And more. Writing about him, it is writing about (part of) my own life as well: my feelings, my experiences, my professional life. I spent the entire week debating with myself whether to register anything on this day. I do not like to bring attention to myself; I really dislike people who try and be more important than the person they are actually working for/with (if you know what I mean). But only yesterday, after a talk with a Japanese producer for NHK, did I realise that what I am honestly not comfortable with is re living it all and, in the process, exposing myself and Ayrton.

The best friendship in F1. This was taken at Gerhard's birthday in 1993

The best friendship in F1. This was taken at Gerhard’s birthday in 1993

When I finally managed to watch the documentary – months after it had been out in the cinemas -, on video at home accompanied by a bottle of wine, I was actually watching my own little life film shown back to me. Well, an important, powerful and intense section of it, anyway. As the film went on, I was going through all my memories of every event; how Ayrton really felt going through them, the bits he shared with me, the laughs, rages and stresses all those occasions caused him and all of those around. I went through dozens of his facial expressions, his mannerisms, his deeply charismatic way. And I missed him like hell. Most of all, I feel achingly sorry for his lost life. For the first time in 20 years, it hurt again. And as I write that, it hurts again.

The only time I held that umbrella. A bit embarrassing, actually.

The only time I held that umbrella. A bit embarrassing, actually.

I took that at a testing in Silverstone 1991, I think

I took that at a testing in Silverstone 1991, I think

It is all so powerful, I feel I need to to share a bit. So here it is some personal photos. “Ayrton, F1 is SOOOOOOO boring without you. No personalities, no opinions, not one intense character. The whole world of motor racing miss you much more than they think. Personally, I repeat, I only feel a huge, deep loss for you at such a prime time in your personal trajectory”

Adriane Galisteu and I in a farewell dinner given by the McLaren mechanics for Ayrton , Australia 1993

Adriane Galisteu and I in a farewell dinner given by the McLaren mechanics for Ayrton , Australia 1993

SENNA: UNSEEN VIDEO OF AYRTON 4 MONTHS BEFORE HIS DEATH

Of course I don’t claim to have seen everything that is out there of Ayrton. But adding what I did experience with him and all the material I have been shown and researched in the last 25 years, it comes to an awful lot of stuff. I sort of thought I had seen it all.

Here is a video of Ayrton in January 1994, enjoying a relaxing day of fishing with a friend of his father Milton. The audio is in Portuguese but you can have a really good idea of how relaxed and down to earth he could be and totally away from cameras. One of my readers, Petrus, posted on my blog and I thought I needed to share with Ayrton’s fans.

JAPANESE GP AND HONDA: SENNA’S VIEWS

Many people have asked me to write more about Ayrton. I did promise I would do so. However, I had underestimated the impact of all the commemorations of 20 years of his death would have on me. I simply needed to stop digging it all up.

In the eve of Suzuka Grand Prix and the announcement of Honda’s coming back to Formula 1 I decided to revisit my notes and here are some of Ayrton’s thought on both: The Japanese Grand Prix and its engine manufacturer.

The collisions with Prost are too well documented. So I have chosen his pole position lap. Ride with him

“After all these years we have been racing in Japan the enthusiasm of the fans still moves me. it is amazing. The numbers of fans I have here is absurd and it grows every year. I am recognised everywhere in Japan and always, no exception, treated with respect and admiration. For all that, it is always an immense pleasure for me to come to Japan.

“The mutual trust is the foremost aspect of my 6-year relationship with Honda. All the rest – and I mean our outstanding results – is well documented in the history books and I believe that it speaks for itself. It has invariably been a truthful relationship in which both parts have always worked in the best interest of everybody, in order to be successful and to seek the improvement all the time. But most significant of it all is that there has always been a healthy atmosphere, consistently respecting human values and ethics

To finish, his Press Conference.

SENNA: NA INDY COM O EMERSON

Para os saudosistas e amantes da Indy. Um dia num circuito lento e oval. Mas a matéria é gostosa.

“Acho que carro de corrida é uma droga, ne’? Só precisei chegar perto e o virus dentro de mim começou a se movimentar”

Emerson diz que ele iria pra Indy, mais dia menos dia. Será?

SENNA: O TEMA DA VITÓRIA. SIMPLES E LINDO

Sem mais comentarios

 

SENNA: MUDEI A ORDEM DOS PILOTOS NO FUNERAL

O quarto e ultimo episódio do excelente documentário do Globo Esporte para comemorar os 20 anos sem Ayrton Senna vai ao ar hoje de manhã.. É centrado no fim de semana de Imola  e nos dias que se seguiram. Eu fui a Imola pela primeira vez em 20 anos para este programa em janeiro. Eu me ofereci para ir e paguei  as minhas passagens. . Eu queria / precisava voltar lá.

Eu quase não dormi na noite anterior. Estava agitada no vôo e fisicamente tremendo quando cheguei lá. Eu sabia que não seria fácil, mas eu sou uma pessoa muito pragmática e pensei que conseguiria me controlar . Afinal, eu não preciso esperar o 1o de maio para  lamentar a morte do Ayrton ou olhar para uma de suas fotos para me lembrar dele .

Mas aquele circuito pregou uma peça em mim. As memórias começaram a aparecer com num slideshow. Os boxes, a torre, a Tamburello. E eu acabei chorando – apesar de ter jurado pra mim mesma que não o faria. O produtor Ernesto Rodrigues e sua equipe já estavam lá , entrevistando um dos medicos que estavam no carro no qual Ayrton tomou uma carona até o local do acidente do Ratzemberger . Eles quiseram que eu guiasse o carro ao redor da pista. Paramos na Tamburello. Eu também ainda não vi o programa e vou ataca-lo aqui mais tarde.

Neste meio tempo, eu gostaria de recordar um episódio que tornei publico pela primeira vez neste programa e que me chocou bastante 20 anos atrás. Aconteceu  durante o enterro.

Emerson Fittipaldi and Gerhard Berger to the front; Prost and Stewart to the back

Lembram desta foto?.A posição dos pilotos era para ser bem diferente

A maioria de nós – amigos , familiares, convidados internacionais – fomos de helicóptero da  Assembleia Legislativa, onde o corpo tinha sido velado, para o cemitério . Eu tinha ajudado a direcionar os ‘convidados’ aos seus voos e tive de  fazer alguns malabarismos para acomodar os mais variados pedidos; inclusive de  pessoas que se recusaram a andar no mesmo helicóptero com  este piloto ou aquele chefe de equipe ! Eu mal podia acreditar no que ouvia- aquilo não era um tour da cidade!!  Mas, claro, acomodei a todos.

Depois de fazer o trajeto, ladeado por centenas de milhares de pessoas, o carro de bombeiros carregando o corpo  do Ayrton chegou ao cemitério. Gerhard Berger, o melhor amigo de Ayrton na F1, veio correndo para mim, indignado. ” Betise , você tem de fazer alguma coisa. Fulano/a (este nome vai permanecer anônimo, mas gostaria de acrescentar que não foi ninguém da família  de Senna ) me disse que Alain (Prost) ) e Jackie ( Stewart) serão os homens de frente carregando o caixão ! Aparentemente, é por ordem de quem ganhou mais títulos Mundiais!! Você tem que mudar isso.  Eles são as duas pessoas que o Ayrton mais odiava ; que mais complicaram a vida dele. ” Ele estava horrorizado e , francamente, eu também. Meu estômago começou a doer.

Eu me virei rapidamente e fui para a porta do cemitério. No caminho, topei com o Geraldo Rodrigues , manager do Rubinho e um amigo querido. Ele perguntou onde eu ia com tanta pressa . ” Gê, você não vai acreditar. Eles querem colocar o Jackie Stewart e o Alain Prost bem na frente carregando o caixão. Ayrton deve estar se revirando no caixão. Preciso mudar isso ” , expliquei e saí correndo.

Depois de falar com o chefe do Corpo de Bombeiros , descobri que ninguém iria  carregar o caixão. ” Como ele foi selado com material extra para a viagem, o caixão é extremamente pesado e, portanto, não é seguro que ele seja  carregado nos ombros ” , me disse . ” ele será colocado em um carrinho e empurrado para o local onde será enterrado.”

Eu ainda tinha o problema da distribuição de posições. Não havia nenhuma dúvida em minha mente que Gerhard tinha de estar bem na frente, pole position absoluta. Ele tinha participado da maioria dos bons momentos do Ayrton dentro e fora das pistas. Se o critério era Campeonato Mundial, então eu colocaria Emerson Fittipaldi , do outro lado . Atrás de Emerson , um piloto estrangeiro; atrás de Gerhard , um brasileiro . Boutsen tinha sido também um bom amigo de Ayrton . Então,  eu o coloquei atrás do Rubinho, que estava atrás de Gerhard . Prost veio depois de Emerson …

Lembro-me de correr para a entrada do cemitério para tirar o Damon Hill  da van que transportava o grupo da Williams . Frank estava branco e surpreendeu-se quando abri a porta e perguntei ao Damon. ” Desculpa ser tão abrupta , mas a família gostaria que você , Damon , carregasse o caixão ” , menti. Não tive tempo de consultar a família. Em minha mente, eu queria fazer o que acreditava deixaria o Ayrton satisfeito . Ele gostava do Damon. Eu gostava Damon. Mas o piloto Inglês estava sem graça, achou que seria  um pouco inconveniente. Ele mal conhecia o Ayrton , tinham se passado apenas três corridas! Eu achei que era importante ter seu companheiro de equipe lá.

Depois disso, eu voltei ate’ onde estavam reunidos os pilotos, fingindo que não sabia de nada sobre os arranjos anteriores e expliquei-lhes que o caixão era muito pesado, não seria carregado mas puxado e sentenciei: ” Gerhard , o melhor amigo de Ayrton no automobilismo, ficará na frente, no lado oposto o nosso piloto brasileiro mais condecorado, Emerson ; atrás deles , vamos alternar um estrangeiro e um brasileiro e assim por diante .. ” Eu acho que o Ayrton ficaria feliz de me ver tomando suas dores, ajudando seus amigos e tomando decisões sem titubear. Ele era assim.

SENNA: I HAD TO CHANGE PALLBEARERS LAST MINUTE

This morning, Brazilian TV Globo will show the last episode of its excellent 4-part documentary to commemorate 20 years without Ayrton Senna. It is centred on that dreadful Imola weekend and the few days that followed. I went to Imola for the first time in 20 years for this programme last January. I offered to go and paid for my tickets. I wanted/needed to be there. I thought it was time to come to terms with it all.

I hardly slept the night before. I was agitated on the flight over and physically shaking when I got there. I knew it would not be easy but I am a very pragmatic person and thought I’d be ok. After all, I don’t really need 1st of May to mourn Ayrton Senna or look at  one of his photos to remember him.

But that Imola track  played a trick on me.  All the memories came flashing back  and I did end up crying which I swore to myself I wouldn’t. The producer Ernesto Rodrigues and his crew were already there, interviewing one of the men who were in the safety car in which Ayrton took a lift to Ratzemberger’s accident spot. I went around the track with them, stopped at Tamburello.  Unfortunately, the programme is in Portuguese only. But I will add the video link later.

For the time being I would like to recall an episode – which I make public for the first time for this programme – that struck me hard then.

Most of us – close friends, family, international guests – flown by helicopter  from the state wake at the National Assembly in São Paulo  to the Cemetery. I had helped to show people to their flights and had to juggle requests of the most varied types; including people who refused to ride in the same helicopter as this driver or that team owner!  I could hardly believe my ears  – that was not a holiday tour! – but obligingly found them a different ride.

Emerson Fittipaldi and Gerhard Berger to the front; Prost and Stewart to the back

Emerson Fittipaldi and Gerhard Berger to the front; Prost and Stewart to the back

After parading the streets of Senna’s home town, lined by hundreds of thousands of people, the fire truck carrying the body reaches the cemetery. Gerhard Berger, Ayrton’s best friend in F1, comes rushing to me. “Betise, Betise. You have to help me. Someone (who  shall remain anonymous) told me that Prost (Alain) and Jackie (Stewart) will be the front men carrying the coffin!  Apparently it is by order of who has won more World Championships!!You have to change that! They are the 2 people Ayrton hated most; the two who made his life harder!”. He was horrified and, quite frankly, so was I. I felt sick in my stomach.

I immediately set out to the task. On the way, I bumped into Geraldo Rodrigues, Rubens Barrichello’s manager and a dear friend.He asked where I was going in such a hurry.  “Gê (that’s how I call him), you’ll not believe that. They want to put Jackie Stewart and Alain Prost right in front, carrying the coffin. Ayrton must be rolling in the coffin. Must change that”, I explained and rushed off.

After talking to the head of the Fire Brigade I found out that nobody would be carrying the coffin. “As it has been sealed with some extra material, the coffin is extremely heavy and, therefore, not safe to be carried on the shoulders”, I was told. “it will be put on a trolley and rolled along to the spot where it will be buried”.

I still had the problem of order. There was no doubt in my mind that Gerhard had to be in front. He had been part of most of the good moments Ayrton had on and off the track. If the criteria was World Championship, then I would put Emerson Fittipaldi on the other side. Behind Emerson, a foreign driver; behind Gerhard, a Brazilian. Boutsen had been a good friend of Ayrton’s, too. So I placed him behind Barrichello- who was behind Gerhard. Prost came after Emerson…

I remember racing to the entrance of the cemetery to get Damon Hill out of the van carrying the Williams’ guests. Frank was white and stunned when I slid the door open and asked Damon out. He was, too!! ” Sorry to be so abrupt but the family would like you, Damon, to be one of the pallbearers”, I lied. In my mind, I wanted to do what I thought Ayrton would have been most satisfied with.  He liked Damon. I liked Damon. But the English driver did feel a bit intrusive, I could tell. He hardly knew Ayrton, there had been only three races! I thought it was important to have his team mate there.

After that, I went up to where the drivers were gathered together, pretending I knew nothing about the previous arrangements, explained to them that the coffin would be wheeled along and sentenced: “Gerhard, Ayrton’s best friend in motor racing, will be in the front; on the opposite side the most condecorated Brazilian driver, Emerson; behind them we will alternate a foreign and a Brazilian and so on..”  I’d like to think Ayrton would have been proud of my taking charge, making an informed decision and acted on it.

 

SENNA: O QUE BERNIE FALOU PARA LEONARDO SENNA

Nos últimos quatro meses, eu re visitei, praticamente todos os dias,  aquele fim de semana trágico do Grande Prêmio de San Marino  de 1994 . E de diversas maneiras. Foi uma decisão consciente para tentar , finalmente , absorver melhor tudo o que aconteceu lá . E eu não me refiro apenas aos acidentes e as perdas. Falo também das reações e comportamentos das pessoas no domingo e nos dias que se seguiram.

Há , inevitavelmente , uma imensa quantidade de material escrito , fotos publicadas e vídeos postado. A internet está inundada de homenagens. Nestas últimas semanas tres semanas diversos programas de televisão foram ao ar,  meia dúzia deles só no Brasil. A Sky está mostrando em Londres um programa de uma hora todas as noites desta semana.  Há , certamente , uma grande quantidade de coisa boa (como já mostrei neste blog) , algumas memórias pessoais e tributos bastante sensíveis e bem escritos. Mas também há muita besteira, desinformação , histórias auto centradas – aquelas que parecem  ser mais sobre os que contam do que sobre os que viveram.

Acho difícil ler coisas como : ” Ayrton estava tranquilo naquela manhã, ele estava pensando em seu companheiro Ratzembergs motorista … ” Como é que alguém pode saber o que ele estava pensando ? “Ele não queria correr ” Mais uma vez, de onde eles tiraram essa informação? Todas as pessoas realmente próximas a ele são unanimes em afirmar que ele não tinha premonição nenhuma e que, em nenhum momento, falou que não iria correr. Alguns leram diversos livros publicados e / ou artigos, agregaram as informações e chegaram as conclusões. Ainda assim, estas informações devem ser tratadas como “De acordo com seu amigo fulano de tal , ele era assim.” Ou ” em seu livro, assim e assim está escrito que…. ”

O pior de todos para mim é: ” Bernie disse a Leonardo Senna que Ayrton estava morto ……” Algumas pessoas erraram o horário , outras o local – e isto transformou a história em algo completamente diferente- para se ajustar ao propósito de suas matérias.

Através deste blog, eu decidi contar algumas partes do que realmente aconteceu. Não tenho a intenção de apontar o dedo ou colocar a culpa . Quero simplesmente registrar o que realmente aconteceu , porque eu era uma das poucas pessoas que estavam lá, vivi de perto os acontecimentos daquele dia , na preparação para liberar o corpo , na viagem ao Brasil, no velório e no enterro.

Hoje, eu vou falar sobre aquela reunião. No interior do motorhome da então FOCA,  em 01 de maio de 1994 , estava o Bernie , a Slavica ( sua então esposa) , o Leonardo e eu.

Portrait of Bernie Ecclestone on a grid

Bernie Ecclestone

Leonardo e eu saímos dos boxes da Williams e caminhamos em direção a torre de comando do autodromo em busca de mais informações.  Quando nos aproximamos, Bernie estava saindo de lá. Ele olhou para nós e disse ao Leonardo , agarrando-o suavemente pelo braço e dirigindo -o para o motorhome.

“Eu preciso falar com você”

Eu traduzi  para o  Leo e caminhei junto com eles. Bernie virou para mim e disse .Voce não.”

Então eu expliquei. “O Leo não fala uma palavra de Inglês ” . Bernie balançou a cabeça e teve que aceitar , nos direcionando ao motorhome .

Quando entramos, Slavica já estava lá. Sozinha, muito abalada e chorando. Bernie se sentou no braço de uma poltrona;  nós dois no sofá em frente .

O Bernie disse que tinha notícias do Ayrton . Leo estava branco.

” Ele está morto ” , falou. Pensei por alguns segundos, “como eu posso traduzir isto  e dizer pro Leo de uma forma mais amena , considerando que ele só falou duas palavras ! ” .

Então eu me virei para o Leo e , da maneira mais gentil e carinhosa possível, eu falei : ”  Leo, eu sinto muito ter de te falar isto, mas ele está dizendo que o Ayrton está morto”

Leo ficou atordoado . Ele olhou para mim, depois para Bernie . Não disse uma palavra. Tive vontade de abraçá-lo. Ele começou a chorar. A soluçar. Ai o Bernie acrescentou :

“Mas nós só vamos anunciar mais tarde para não parar a corrida” . E eu traduzi para o Leo. Mesmo antes de eu terminar ele já estava descontrolado, chorando alto e tremendo. Eu realmente não sabia o que fazer. Eu nunca tinha visto uma dor tão crua.

Bernie levantou-se , pegou uma maçã e começou a conversar  com a Slavica, que chorava ainda mais alto. Levei alguns minutos para conseguir acalmar o  Leo. Ele ainda estava muito abalado e incapaz de dizer qualquer coisa quando eu lhe disse, mais uma vez da maneira mais gentil possível. – e segurando suas mãos nas minhas.

“Leo , eu realmente sinto muito. Nossa, de verdade. Nem sei mais o que dizer para você, mas uma coisa voce tem que fazer. Você precisa se recompor e ligar para seus pais no Brasil. Eles devem estar desesperados e não pode ser eu a lhes dar esta noticia. Eles precisam ouvir isso de você. Tenho certeza de que vai ser mais reconfortante para eles também ”

leonardo and Ayrton Senna sitting together

Leonardo e Ayrton

Expliquei isso ao Bernie e ele, imediatamente, ofereceu o telefone do motorhome. Leo fez a chamada.

Foi quando Martin Whitaker , o então assessor de Imprensa da FIA, entrou no motorhome.  Bernie e Martin conversaram por alguns minutos. Então Martin virou-se para mim e disse .

” O que eu disse na sala de imprensa é que Ayrton teve ferimentos na cabeça e foi levado para o hospital”

” O Bernie acaba de nos dizer que o Ayrton está morto “, eu respondi. Leo estava no telefone comunicando a sua família que o Ayrton tinha morrido , em lágrimas. E novamente muito abalado.

” Não, o que eu disse a imprensa é que ele teve ferimentos graves na cabeça ” , explicou Martin.

. ” Sim, eu sei disso, mas já sabemos que ele está morto ” , insisti , obviamente querendo dizer que ele não precisa nos dar o PR line ; que nós sabíamos a verdade. Martin fingiu não entender  e repetiu a mesma coisa.

Então, eu puxei-o para uma salinha menor na parte de trás do motorhome . Tínhamos trabalhado juntos uns anos antes , quando ele era o assessor de Imprensa da McLaren. Então eu pensei que poderia contar com o respeito dele .

“Martin , eu acho que você não entendeu  a delicadeza da situação. O Leo já contou pra família que o  Ayrton morreu. Eles já estão lidando com uma dor enorme. ”

” Betise , eu entendo isso. Mas eu disse à imprensa que ele tinha ferimentos na cabeça e foi para o hospital. Eu não disse  que ele está morto ”

” Sim, Martin, mas o que eu estou tentando dizer é que , se você insistir nesta postura, eu vou ter que sair desta sala , e ir dizer ao Leo que o Ayrton ainda está vivo e, consequentemente, dar a sua mãe e seu pai a esperança de que ele possa se recuperar. Uma esperança que não existe”

Martin foi categórico : ” Betise , ele não está morto. Esta é a informação que eu estou dando a todos. ” .

Saí da sala , contei pro Leo. Ele telefonou para o Brasil novamente e disse a sua mãe Neyde e pai  Milton . Passei as próximas cinco horas traduzindo , organizando, transmitindo recados e lidando com as esperanças e dores de Leo no hospital e da família no Brasil.  Só quando o Dr. Syd Watkins chegou ao hospital  ficou tudo esclarecido . Eu estava com a irmã do Ayrton no telefone me dizendo que eu deveria rezar, eu deveria ter esperança, Ayrton era forte. Eu simplesmente não conseguia faze-los compreender a gravidade da situação. Tirei o telefone da  orelha e disse pro  Syd. “É  a Viviane . Ela não acredita quando eu digo a ela o quão grave é o estado do Ayrton. Eu não sei mais o que dizer. Você poderia falar com eles. Tenho certeza que vão te escutar ” , eu disse . Syd olhou para mim. Ele estava visivelmente triste e com dor. ” Betise , não há esperança nenhuma. Ele já estava morto na pista” ( e passou a descrever alguns detalhes de suas lesões na cabeça , que eu não vou escrever aqui , em nome do bom gosto e em respeito à sua família e amigos próximos ) . Eu fiquei muda. Cabeça vazia. Simplesmente entreguei-lhe  o receptor.

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Senna and Syd Watkins - Martin Whitaker

Senna e Syd Watkins(acima)  – Martin Whitaker

SENNA: WHAT BERNIE REALLY SAID TO LEONARDO SENNA

In the last couple of months, I have been revisiting that tragic weekend of the San Marino Grand Prix 1994 practically every day. It was a conscious decision to try and, finally, come to terms with what happened there. And I don’t only mean the accidents and the losses. I also include peoples’s reactions and behaviours at the time and few days there after.

There are, inevitably, an immense amount of material written, photos and videos. The internet is inundated with tributes and these last couple of weeks there have been half a dozen Tv programmes in Brazil alone. There are, certainly, a lot of good material, some moving personal memories and tributes. But there are also too many misinformation, self centred stories – those which seemed to be more about the tellers than the told (I hope that makes sense!!)

I find IT difficult to read things like : “Ayrton was quiet that morning, he was thinking about his fellow driver Ratzembergs…” How can anyone know what he was thinking?? “he did not want to race” Again, where did they get that information  from? People have obviously read some of the books published and/or articles and put it all together and came to these conclusions. Still, these informations should be treated like “According to his friend so and so ,he was like that”. Or” In His book, so and so writes that…”

The worst of them all for me is:  “Bernie told Leonardo on that day that Ayrton was dead……”  Some people misplaced the event, others the timing and that made them change the story into something completely different to fit the purpose of their stories.

Through this blog, I have decided to tell some parts of what really happened. I have no intention of pointing fingers or placing blame. I want simply to register what really happened because I was one of the very few people who were there, close to all the events that day, on the preparation to release the body, the journey to Brazil, the memorial and the funeral.

Today , I will tell about that meeting. Inside the FOCA motorhome on 1st of May 1994, there was Bernie, Slavica (his then wife), Leonardo and I.

Portrait of Bernie Ecclestone on a grid

Bernie Ecclestone

Leonardo and I left the Williams garage and walked  towards the information/FIA tower in Imola to try and get more information. As we approached it, Bernie was coming out. He looked at us and said to Leonardo, grabbing him gently by the arm and directing him to the FOCA motorhome.

“I need to talk to you”.

So I translated it  to Leo and walked along with them. Bernie turned to me and said. “Not you”.

So I explained. “Leo does not speak a word of English” . Bernie nodded and had to accept, directing us both into the motorhome.

We stepped in and Slavica was there already, on her own, very shaken and in tears. Bernie sat on the arm of a chair and we both on the sofa in front.

Bernie told us he had some news of Ayrton. Leo was white.

“He’s dead”, Bernie said. I thought for a few seconds, “how can I translate it and tell Leo in a more adequate manner, considering he only spoke two words!!” .

So I turned to Leo and, in the most gentle and caring way I could master at the time, and said: ” I am really sorry to have to translate that to you but Bernie is telling us Ayrton has died.”

Leo was stunned. He stared at me, then at Bernie. He did not say a word. I wanted to hug him. He started to sob.Then Bernie added:

“But we are not announcing it yet so the race won’t be stopped”. And I translated to Leo. Even before I finished it. he was already desperate, sobbing loud and shaking like if in a fit. I really did not know what to do. I had never seen such a raw pain.

Bernie got up, picked up an apple and talked to Slavica who then started to sob as well. It took me a few minutes to sort of get Leo back to himself. He was still very stunned and incapable of saying anything when I said to him, again in the most gentle way I possibly could. Holding his hands on mine.

“Leo, I am truly, truly sorry. I don’t know what else to say to you but one thing is certain. You have to pull yourself together as well as you can and you need to call your parents in Brazil and tell them. They’ll be worried sick and I cannot be the one to do that. They will need to hear it from you. I am sure it will  be more comforting for them as well”

leonardo and Ayrton Senna sitting together

Leonardo and Ayrton

I explained it to Bernie and he immediately offered the motorhome phone and Leo made the call.

Then, Martin Whitaker, the FIA Press Officer, came in. Bernie and Martin talked for a few minutes. Then Martin turned to me and told me.

“What I said in the Press Room is that Ayrton had head injuries and has been taken to the hospital”

“Bernie just told us he is dead”, I replied. Leo is on the phone telling his family Ayrton had died, in tears and again very shaken.

“No, what I informed the Press is that he had severe head injuries”, explained Martin.

“Yes, I know that. But we already know he’s dead” , I insisted, obviously implying that he did not need to give us the party line; we knew the truth. Martin wasn’t buying it and kept repeating the same thing,

So I pulled him into the small room at the back of the motorhome. We had worked closely few years back when he was McLaren Press Officer so I thought I could rely on him.

“Martin, I don’t think you understand the importance of the situation. Leo has already told his family in Brazil Ayrton is dead. They are already going through extreme pain.”

“Betise, I understand that. But I have told the press he had head injuries and gone to hospital. I did not tell them he is dead”

“Yes, Martin, But what I am trying  to tell you is that, if you insist on this, I will have to leave this room, go and tell Leo that Ayrton is still alive and, consequently, give his mother and father, some hope that might not exist”

Martin was adamant: “Betise, he is not dead. That is the information I’m giving out”.

I left the room, told Leo, who telephoned Brazil again and told  his mother Neyde and father Milton. i spent the next five hours  translating, organising, conveying messages and handling the hopes and pains of Leo in the hospital and the family in Brazil. It was only when Dr Syd Watkins arrived in the hospital that all was clarified. I had Ayrton sister’s on the phone telling me I should pray, I should have hope, Ayrton was strong. I simply could not make them understand the severity of the situation. I took the phone off my ear and wait to Syd. “it is  Viviane. She does not believe when I tell her how grave Ayrton is and I don’t know what else to say. I was wondering whether you could talk to them. I am sure they will listen to you”, I said. Syd looked at me. He was visibly sad and in pain. “Betise, there is no hope He was already dead on the track” (and went on describing some details of his head injuries, which I will not write here in the name of good taste and respect to his family and close friends).  I was speechless. I thought of nothing and simply handed him the receiver.

Senna and Syd Watkins - Martin Whitaker

Senna and Syd Watkins – Martin Whitaker

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